quinta-feira, 15 de maio de 2014


JUSTIFICATIVA
     O objetivo desse trabalho é promover uma reflexão e estimular a valorização e divulgação da realidade etnocultural, da história, da cultura e da contemporaneidade indígenas no RN e no Brasil (de acordo com a Lei 11.645/08) entre professores, pesquisadores, educadores e gestores das secretarias municipais do Rio Grande do Norte. 
     Serão realizados sete seminários, sendo seis municipais e um estadual no sentido de unir esforços para a informação, debate e reflexões sobre essa nova abordagem didático-pedagógica nas escolas do RN, com ênfase nos municípios onde há grupos indígenas em processo de autorreconhecimento: Goianinha, Canguaretama, Baía Formosa, Assu, João Câmara e Macaíba.  
   A perspectiva é oferecer subsídios para a conscientização e para o desenvolvimento de práticas pedagógicas voltadas para o combate ao preconceito e aos estereótipos, criados pela ideologia de dominação, sendo autorizados e difundidos pela historiografia oficial.
      Como desdobramentos dessa iniciativa espera-se que as secretarias estaduais e municipais, além da UFRN e IFRN, entre outras instituições voltadas para a cultura, se preocupem em disponibilizar e favorecer o acesso a subsídios oriundos do MEC e que ainda estimulem a produção de material didático local, com enfoque voltado para a realidade contemporânea dos indígenas no Estado.
      Da mesma forma, é importante que se promovam a capacitação e a formação de professores e gestores com vistas a um novo olhar sobre essa temática na escola.

                                                           A Comissão 

REALIZAÇÃO
Articulação dos Povos Indígenas da Região Sul - ARPIN/SUL
Prêmios Cultura Indígena - 4ª Edição Raoni Metuktire
Associação Comunitária Amarelão - ACA

COMISSÃO ORGANIZADORA
Maria Gorete Nunes-Mestranda – PPGAS/UFRN
Jussara G. A. Guerra- Antropóloga -GP-MCC/UFRN
Tayse Campos - APOINME/ACA
Valda Arcanjo – Coord. de mulheres da APOINME

PARCEIROS
UFRN - Museu Câmara Cascudo; Grupo Paraupaba - GP
SEEC-RN/ DIRED’S
Secretarias Mun. de Educação de:
Goianinha; Canguaretama; Baía Formosa
João Câmara; Assu; Macaíba
IFRN – Campus Canguaretama e João Câmara
UERN – Campus/Assu
Associação de Apoio às Comunidades do Campo - AACC
TECHNE

CRONOGRAMA
MUNICÍPIO
DATA
Canguaretama (Municipal)
27/05/2014
Goianinha (Municipal)
28/05/2014
Baía Formosa (Municipal)
03/06/2014
Assu (Municipal)
17/092014
Macaíba (Municipal)
10/09/2014
João Câmara (Municipal)
05/09/2014
Natal (Estadual)
19/11/2014

segunda-feira, 18 de abril de 2011

PROPOSTA DE TRABALHO

TEMA
FORTALECENDO A CULTURA DOS POVOS INDÍGENAS NO RN


JUSTIFICATIVA

Nós que fazemos a SEEC/NECAD e MCC/GP propusemos essa proposta de trabalho, visando facilitar a elaboração de Projetos nas Escolas da rede pública de ensino, quanto a inclusão da temática indígena nos currículos escolares, nos anos finais do Ensino Fundamental, em cumprimento à Lei 11.645/08, que torna obrigatória essa prática em sala de aula.

OBJETIVOS
 
Ø  Conhecer e valorizar a história e a cultura do estado norte-rio-grandense e de seus    municípios.
Ø  Pesquisar os aldeamentos e missões da antiga Capitania do Rio Grande.
Ø  Conhecer a história das comunidades indígenas no RN, no passado e na atualidade, valorizando a história oral.
Ø   Mapear os sítios arqueológicos do estado relacionados com a história indígena.
Ø  Incentivar produções culturais e artísticas.
Ø  Descobrir novos talentos na escola.
Ø  Elaborar um artigo sobre a história e a cultura de uma das comunidades indígenas do estado


DISCIPLINAS CONTEMPLADAS

Ø  Língua Portuguesa; História; Arte e Cultura do RN


CONTEÚDOS PROPOSTOS

6º Ano:
Ø  Antiguidade do Rio Grande do Norte.
Ø  Inscrições rupestres e seus significados; a linguagem das figuras e sua significação simbólica para a comunidade local.
Ø  Costumes,influências  da cultura indígena,valores e tradições indígenas.

7º Ano:
Ø  A história do RN no período colonial dentro de uma abordagem crítica - o índio como ator histórico;
Ø  Aldeamentos e missões na antiga Capitania do Rio Grande - contextualização;
Ø  Sítios arqueológicos e sua significação simbólica para a comunidade local.
Ø  Desenhos, pinturas, maquetes alusivos a essa época.

8º Ano:
Ø  Comunidades indígenas no RN - sua contemporaneidade, memória e história oral.

9º Ano:
Ø  Comunidade indígena do RN (escolher um grupo familiar);
Ø  Registro fotográfico (com a devida autorização).


RECURSOS METODOLÓGICOS

Ø  Aulas expositivas, práticas e de campo;
Ø  Entrevistas;
Ø  Pesquisas;
Ø  Estudo de textos;
Ø  Confecções de maquetes, mapas;
Ø  Desenhos e pinturas;
Ø  Elaboração de relatórios, artigos;
Ø  Documentação fotográfica; etc.


RECURSOS MATERIAIS
 
Ø  Papel ofício, fotocópias;
Ø  Livros de pesquisa (bibliografia);
Ø  Coleções de lápis de cor (em madeira e cera);
Ø  Lápis esferiográfico, grafite;
Ø  Cartolina; EVA;
Ø  Pincéis; tintas; colas; tesouras;
Ø  Câmara fotográfica; Gravador
Ø  Deslocamentos para realização de estudos.


SUGESTÕES DE ATIVIDADES

6º Ano:
Ø  Desenho de Mapas Antigos da Capitania do Rio Grande;
Ø  Pesquisas sobre a contribuição da cultura indígena na formação do povo brasileiro;
Ø   Visitação a uma comunidade indígena para conhecer seus costumes

7º Ano:
Ø  Realização de pesquisas sobre os sítios arqueológicos;
Ø   Visitação a um sítio arqueológico;
Ø   Registro fotográfico e escrito;
Ø   Montagem de um painel fotográfico, mapas..

8º Ano:
Ø   Pesquisa sobre as comunidades indígenas no RN
Ø   Visitação a museus - artefatos da cultura material indígena;
Ø   Elaboração de um relatório sobre a documentação observada;
Ø  Painel fotográfico sobre a visita, com legenda.

9º Ano:
Ø  Visitação a uma comunidade indígena;
Ø  Elaboração de entrevistas
Ø  Origem da comunidade – caracterização, localização, histórico.
Ø  Território – situação da terra;
Ø  Meio Ambiente – lixo, poluição, etc.
Ø  Saúde - atendimento médico,odontológico, posto de saúde,etc.
Ø   Cultura – artesanato (pessoas envolvidas, material utilizado), rituais, danças – período de apresentação, musicalidade – instrumentos utilizados, crendices, mitos.
Ø  Cultura de subsistência – plantio,colheita, produção.
Ø  Projetos desenvolvidos na comunidade.
Ø  Registro fotográfico da visitação.
Ø  Elaboração de um artigo/relatório.


RESULTADOS ESPERADOS

Ø  Realização de um momento cultural, no qual serão apresentados todos os trabalhos realizados durante a execução do projeto - na escola.
Ø   Cada escola escolherá o melhor trabalho e encaminhará para a SEEC e MCC/GP providenciarem  a elaboração do Livro – Comunidades Indígenas no RN: memória, história oral e resistência  (desenvolvido pelos alunos).


ANTIGO RITUAL DOS MENDONÇA DO AMARELÃO - JOÃO CÂMARA-RN
(APANHAR O SOL)

Colaboração e Agradecimento: Jussara Galhardo - MCC

COMUNIDADES INDÍGENAS NO RN

MENDONÇA DO AMARELÃO
João Câmara-RN

Os antecessores dos Mendonça do Amarelão são indígenas migrantes do Brejo de Bananeiras do Estado da Paraíba que chegaram à região por volta da primeira metade do século XIX. São mais de 1.600 pessoas que vivem no Amarelão (João Câmara/RN) – lugar de fundação da família há mais de 150 anos e Assentamento Santa Teresinha – terras que os Mendonça conseguiram recuperar junto ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terras – MST, área vizinha do Amarelão. Ambas as localidades estão distantes em mais de 90 km de Natal.


  ELEOTÉRIO - CATU
Canguaretama/Goianinha-RN

São aproximadamente 900 pessoas que vivem numa região chamada Catu (na língua Tupi significa “bom”, “bonito”). É uma área localizada nos municípios de Canguaretama/Goianinha, distando cerca de 80 km de Natal. O Catu está rodeado de canaviais e por criadouros de camarão.
No século XVIII a antiga aldeia de Igramació (arredores de Vila Flor, Goianinha e Canguaretama) abrigava indígenas Potiguara e depois Tapuia, sobreviventes da “Guerra dos Bárbaros” (LOPES,2003).


CABOCLO
Açu-RN

Próxima a Riacho no município de Açu compõe-se de 150 pessoas que vivem em terras alheias. Vivem da agricultura, trabalhando como meeiros, ou seja, tudo que produzem na terra têm que dividir com o dono do lugar. Os Caboclo falam de sua origem indígena e de migrações da família que vieram de Paraú (oeste do RN).
Alguns se identificam como indígenas, outros como “caboclos”, denominação que se remete a antecessores indígenas. Há cavernas e outros lugares de memória que são lembrados pelos mais velhos como espaços dos antecessores indígenas.


  BANGUÊ
Açu-RN
Composta por 180 pessoas que vivem à margem da Lagoa do Piató (13 km de extensão) no município de Assu. Trabalham com a pesca e agricultura de subsistência. Da mesma forma que as demais comunidades já vistas, há muita precariedade no que se refere à saúde, à educação, ao lazer e ao trabalho.
Há referências à origem indígena e à presença desses antecessores na memória social.


Lagoa do Piató
 
SAGI
Baía Formosa-RN

Localiza-se numa praia do mesmo nome, no Município de Baía Formosa, litoral sul do Rio Grande do Norte, fronteira com a Paraíba. São aproximadamente 540 pessoas. 
Ao que tudo indica  as famílias pertencem a troncos familiares dos indígenas Potiguara da Paraíba que chegaram na região há mais de 100 anos.


Rio Guaju - Sagi
 

 Texto: Jussara Galhardo
                                                                                        Adaptação: Gorete Nunes